Poesia aos gritos
Enlouquecida e desesperada, me pus aos gritos: - Cade a minha felicidade! Onde se foi a minha felicidade? Alguem com cheiro de flor me cutucou as costas. - Sai daqui!! - Gritei sem me virar. Cheirei o ar confusa. Era cheiro de chuva? De crianca? De chocolate? Entre meu desespero e minha curiosidade, me virei. E ela estava ali de maos abertas, sorriso na face, doce nos olhos: a felicidade tinha forma de poesia!
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Nova era
Meu trash
Lado emerge.
Amplia e reflete.
Desconheço
Minhas outras
Insanidades.
Te vejo
Te chamo
Te hipnotizo
A atenção.
Balanço o pendulo
De madeira e papel:
Aplique e recicle
Aplique e recicle
Recicle
Recicle
O ciclo.
Click!
Por Claudia Gomes, sempre! Recicle, não complique! Me sinto uma efemeridade em passagem...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Novembro no ES
Passei novembro no ES e acabou rolando muita coisa bacana.




- Fiz duas lixeiras "Pegue o seu LIXO" onde cada um pegava seu poema reciclado (poema dentro de embalagens recicladas);
- Distribuí publicamente 40 livros. Na verdade passei para minha mãe fazer o serviço, já que ela achou muito interessante esquecer livros em õnibus, praças e hospitais. O projeto já existe no Rio e São Paulo, mas não achei má idéia copiar, se é por uma boa e nobre causa, a leitura;
- Distribuí 45 poemagias (poemas dentro de livros de misticismo, embrulhado para presente!);
- Me inspirei um bucado para textos e projetos e já deixei prontas 60 capinhas do meu cd pirata poético!

Aí está a Renata pegando seu lixinho no Atelier Casa Aberta Espaço de Moda & Arte da queridissima e fofa Stael Magesk!
Sessenta capas de cd... em breve!
Poemagias e Lixeiras... eu só in)vento!

E essaí sou eu pelas mãos de Fabio Turbay! Foi uma sugestão para a capa de Hecatombe Hipotética, só pra lembrar que o livro vem aí...
Falando em lançamento, quem quiser adquirir as revistas Capitu Magazine ou Pequeno Almanaque Gótico (as quais contam com um roteiro meu respectivamente desenhado por Vanessa Demétrio e Fabio Turbay).
Assédio Moral aos bancários
Foi lançado agora em dezembro o livro "Demiti o banco admiti a vida", do Clovison pela editora Musa em São Paulo. Nele tem um depoimento meu (está no blog sob o titulo "Era uma vez um sonho"). Quem quiser adquirir acesse:
www.clovison.com
www.clovison.com
domingo, 25 de dezembro de 2011
ENTREVISTA ANDRÓGINA

Como tudo começou?
Um dia estava sentada a mesa de chá quando, sem querer, devorei uma libélula. Cuspi e veio o verso.
Viste o verso?
Eu vi, ele me pedia para virar. O lado da folha ou de bruços? Mantenho a duvida até hoje. Talvez tivesse sido diferente.
E obedeceu o vice e versa?
O verso do verso eu li.
E aí?
Virei com ânsia, como criança, e vomitei quando senti.
O quê percebeu em si?
Cócegas no estômago. Em festa, insetos coloridos e diversos, poherméticos, abstratos. Poéticos. Me alucinaram e eu rezei de medo.
Tudo isso você sentiu no verso do poema?
O verso escrito com pena de mim.
Pena e tinta?
Apenas pena. Porque eu não percebia as entrelinhas do que estava escrito a tinta.
Em algum momento ficou escuro?
Sim, mas não me lembro quando. Rodopiei e me vi numa floresta. Eu era o inseto. O mundo era um universo e das arvores pendiam palavras.
Comeu alguma?
Várias. Umas doces, outras amargas. A palavra bege era insossa.
Bege é uma cor.
E também uma palavra. Toda cor é palavra, toda palavra tem cor.
Se você diz.
Sim, eu fui, eu estive lá.
E daí?
Fui comido por um camaleão, regurgitado, devorado por uma borboleta. Copulei com uma joaninha.
Tem certeza?
Absoluta. Conheci meus filhos. Tinham a minha cabeça e o corpo da mãe.
Interessante. E quando voltou?
Quando amanheceu.
E como soube?
Senti uma aurora boreal. Ovulei, tive orgasmos. Olhei a minha frente e eu havia escrito um livro inteiro em língua estrangeira. Gritei pro mundo, vieram me ver. Publiquei. E foi assim que eu ganhei a fama.
Obrigada. A matéria vai pra primeira folha com a manchete “Palavras Metamorfas” em homenagem ao titulo do livro. Tudo bem?
Tudo ótimo e você? ...Volte sempre. Quer um chá?
Não, obrigada. Estou cheio. Acabei de engolir uma libélula.
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Por Claudia Gomes, sempre!
HISTÓRIAS DO VÔ JOÃO
HISTÓRIAS DE PESCADOR
Meu avô que me conta: Pois tinha um homem que era pescador e mentiroso como todo pescador é. Disse que tinha pescado um peixe de quinze arrobas lá no rio de cima. Pois o rio de cima é cumprido e passa com uns 80 centímetros de margem a margem. Pro peixe conseguir viver ali, só se ele procurasse a parte mais funda e ainda ficaria com a cacunda de fora. Eu disse isso e ele me arrematou:
- Pois foi assim mesmo que eu peguei o peixe: meti a faca no lombo dele!
DIA DE BRANCO
Dois matutos se arrumaram de manhã, espingarda, embornal, provisões e foram pro mato caçar. Chegaram na mata e logo na entrada tinha uma cobra passando. Eles ficaram esperando a cobra passar.
Esperaram, esperaram, esperaram.
A noite caiu e a cobra não tinha passado. Um virou pro outro:
- Pois o que a gente faz agora?
- Agora nós vamos embora, eu que não vou entrar no mato no meio do escuro.
E rumaram os pés pra trás.
COPO DUPLO
Meu bisavô me pedia pra trazer água. Eu pegava a caneca de alumínio e enchia no filtro de barro São João. Ele me dizia:
- Opa! Obrigada, fia. Mas você trouxe água no “não sinhô”.
Eu confusa perguntava:
- Como assim, “não sinhô”?
- É que se a gente oferece água nesse copão aqui, quando sujeito acaba de beber e a gente pergunta: Quer mais? A resposta é certa: Não, sinhô!
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Por Claudia Gomes, sempre!
Meu avô que me conta: Pois tinha um homem que era pescador e mentiroso como todo pescador é. Disse que tinha pescado um peixe de quinze arrobas lá no rio de cima. Pois o rio de cima é cumprido e passa com uns 80 centímetros de margem a margem. Pro peixe conseguir viver ali, só se ele procurasse a parte mais funda e ainda ficaria com a cacunda de fora. Eu disse isso e ele me arrematou:
- Pois foi assim mesmo que eu peguei o peixe: meti a faca no lombo dele!
DIA DE BRANCO
Dois matutos se arrumaram de manhã, espingarda, embornal, provisões e foram pro mato caçar. Chegaram na mata e logo na entrada tinha uma cobra passando. Eles ficaram esperando a cobra passar.
Esperaram, esperaram, esperaram.
A noite caiu e a cobra não tinha passado. Um virou pro outro:
- Pois o que a gente faz agora?
- Agora nós vamos embora, eu que não vou entrar no mato no meio do escuro.
E rumaram os pés pra trás.
COPO DUPLO
Meu bisavô me pedia pra trazer água. Eu pegava a caneca de alumínio e enchia no filtro de barro São João. Ele me dizia:
- Opa! Obrigada, fia. Mas você trouxe água no “não sinhô”.
Eu confusa perguntava:
- Como assim, “não sinhô”?
- É que se a gente oferece água nesse copão aqui, quando sujeito acaba de beber e a gente pergunta: Quer mais? A resposta é certa: Não, sinhô!
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Por Claudia Gomes, sempre!
Simples demais

Lembra da Deane? Da biblioteca da minha escola de quando pequena? Ela quem me disse uma vez que eu era muito ingênua. Ela foi sincera, ela sempre me dizia muitas coisas que ninguém mais me dizia, como quando ela me contou que eu tinha o estomago alto, mas não era doença.
Na época eu nem sabia o que significava ingênua. Fui procurar e me magoei: eu não queria ser ingênua. Nem um pouco. Ingênua tinha ares de bobice e ignorância quanto ao mundo. Eu era assim mesmo, já que vivia sozinha e isolada, mas eu não gostava de ser boba. Não gostava nem da idéia. Achei que se eu ficasse mais esperta pararia de ser ingênua. A ingenuidade me perseguiu durante toda minha adolescência. Eu não sabia dizer não para nada. Eu não sabia expressar minha opinião, nem ler claramente qualquer entrelinha. Me chamavam e eu ia. Se aproveitavam de mim. Eu não sabia como lidar com o mundo que eu queria tanto mergulhar e me destacar positivamente nele. Eu afundava mais e mais no caos, sem nem saber.
Esses dias atrás foi que eu percebi que ainda sou ingênua. Que as coisas que deram errado, e eu não sabia onde estavam os erros, percebo agora que vem da minha ingenuidade. É surpreendente como não nos conhecemos. É surpreendente de como se eu soubesse da minha ingenuidade eu teria pensado duas vezes em muitas coisas e pedido opinião a alguém antes de tomar decisões, aceitar situações e a tomar vodka pra dissipar o meu próprio caos. Ingenuidade e caos não combinam. Mas em mim eles devem conviver em harmonia, se eu tiver consciência de quem eles estão ali e de que, não importa o quanto eu amadureça, eles fazem parte de mim.
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Por Claudia Gomes, sempre.
Por Claudia Gomes, sempre.
ACORDANDO
As janelas são todas escuras.
Ouço aves, folhas, insetos e a voz da minha mãe. No fundo, ouço o correr das águas.
Me vem na cabeça o pé de ingá.
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Por Claudia Gomes, sempre.
Ouço aves, folhas, insetos e a voz da minha mãe. No fundo, ouço o correr das águas.
Me vem na cabeça o pé de ingá.
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Por Claudia Gomes, sempre.
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