
Lembra da Deane? Da biblioteca da minha escola de quando pequena? Ela quem me disse uma vez que eu era muito ingênua. Ela foi sincera, ela sempre me dizia muitas coisas que ninguém mais me dizia, como quando ela me contou que eu tinha o estomago alto, mas não era doença.
Na época eu nem sabia o que significava ingênua. Fui procurar e me magoei: eu não queria ser ingênua. Nem um pouco. Ingênua tinha ares de bobice e ignorância quanto ao mundo. Eu era assim mesmo, já que vivia sozinha e isolada, mas eu não gostava de ser boba. Não gostava nem da idéia. Achei que se eu ficasse mais esperta pararia de ser ingênua. A ingenuidade me perseguiu durante toda minha adolescência. Eu não sabia dizer não para nada. Eu não sabia expressar minha opinião, nem ler claramente qualquer entrelinha. Me chamavam e eu ia. Se aproveitavam de mim. Eu não sabia como lidar com o mundo que eu queria tanto mergulhar e me destacar positivamente nele. Eu afundava mais e mais no caos, sem nem saber.
Esses dias atrás foi que eu percebi que ainda sou ingênua. Que as coisas que deram errado, e eu não sabia onde estavam os erros, percebo agora que vem da minha ingenuidade. É surpreendente como não nos conhecemos. É surpreendente de como se eu soubesse da minha ingenuidade eu teria pensado duas vezes em muitas coisas e pedido opinião a alguém antes de tomar decisões, aceitar situações e a tomar vodka pra dissipar o meu próprio caos. Ingenuidade e caos não combinam. Mas em mim eles devem conviver em harmonia, se eu tiver consciência de quem eles estão ali e de que, não importa o quanto eu amadureça, eles fazem parte de mim.
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Por Claudia Gomes, sempre.
Por Claudia Gomes, sempre.
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