domingo, 25 de dezembro de 2011

RUGIDO




Minha poesia é filha do caos.
Minha poesia é filha do cais.
Cais do porto
Onde aportou o navio do desgosto,
Pois nasci em agosto.
Mês torto.
Leoa de circo.
É assim que me sinto.

(Me pergunta uma amiga,
Talvez imaginária)
“Na sua época era o navio?
Não era a alface?”

Falando seriamente,
Na minha época era a cegonha.
Cegonha de bico roliço e comprido
Que despejou metade de mim na barriga da minha mãe.

Recordo que
De inicio eu não era.
De inicio eu não era leoa,
Mas também não era leão.
Eu não sabia e não importava.



O universo era escuro e grande
Repleto de planetas e estrelas.
Leve sensação de estar perdida, de que devia haver algo mais,
Mas também de conforto.

A gosto de Deus.
Não desgosto da idéia de ser leonina.
Faz-me forte, porém
Materna.






Por Claudia Gomes, sempre.

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