domingo, 25 de dezembro de 2011

Retrograda



Aqui, entre essas montanhas, eu perco minha identidade pessoal. Fico ligada a uma coletividade antepassada e meu sobrenome vira minha descendência. É uma corrente de energia em palavras, uma serie de lembranças despertadas. Eu viro criança de novo. Me sinto a menina dependente. A que corria pelo meio do mato cumprimentando pé de mexerica e comendo pétala de rosa. A que queria mergulhar no rio. Me redescubro pequena e parte de um todo.

É assim por aqui, me olham risonhos e curiosos:

- É a Clauda d’Irani? Mas como está grande! Bitela!

Me sinto pequena, infantil, sorrio tímida quase me escondendo na saia de minha mãe. A sagacidade me some e quero colo.

Entre conversas e trabalhos domésticos, chega a hora do almoço.

- Come mais, menina! Pegou quase nada! Anda!

E eu como, mesmo sem fome, não por gulodice, mas pela saudade de antigos carinhos.


Por Claudia Gomes, sempre! Escrito em Pip-Nuk, terras da minha infãncia. (http://projetopipnuk.blogspot.com/)

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