domingo, 25 de dezembro de 2011

HISTÓRIAS DO VÔ JOÃO

HISTÓRIAS DE PESCADOR
Meu avô que me conta: Pois tinha um homem que era pescador e mentiroso como todo pescador é. Disse que tinha pescado um peixe de quinze arrobas lá no rio de cima. Pois o rio de cima é cumprido e passa com uns 80 centímetros de margem a margem. Pro peixe conseguir viver ali, só se ele procurasse a parte mais funda e ainda ficaria com a cacunda de fora. Eu disse isso e ele me arrematou:
- Pois foi assim mesmo que eu peguei o peixe: meti a faca no lombo dele!

DIA DE BRANCO
Dois matutos se arrumaram de manhã, espingarda, embornal, provisões e foram pro mato caçar. Chegaram na mata e logo na entrada tinha uma cobra passando. Eles ficaram esperando a cobra passar.
Esperaram, esperaram, esperaram.
A noite caiu e a cobra não tinha passado. Um virou pro outro:
- Pois o que a gente faz agora?
- Agora nós vamos embora, eu que não vou entrar no mato no meio do escuro.
E rumaram os pés pra trás.

COPO DUPLO
Meu bisavô me pedia pra trazer água. Eu pegava a caneca de alumínio e enchia no filtro de barro São João. Ele me dizia:
- Opa! Obrigada, fia. Mas você trouxe água no “não sinhô”.
Eu confusa perguntava:
- Como assim, “não sinhô”?
- É que se a gente oferece água nesse copão aqui, quando sujeito acaba de beber e a gente pergunta: Quer mais? A resposta é certa: Não, sinhô!

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Por Claudia Gomes, sempre!

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